quinta-feira, 31 de março de 2011

Copas e Cifrões

Não é difícil ouvir/ler declarações de amor. Assim, também, como há os que ficam insandecidos com tais declarações. Dizem que o amor foi comercializado.
Mas, eu não acho que ele "foi". Eu tenho certeza de que ele é comercializado. E sempre foi.
É só comparar o amor ao dinheiro, e ver que ambos são caminhos pra objetivos. Sejam eles nobres, ou maléficos.

Enfim, aonde quero chegar é, amor e dinheiro sempre estiveram lado a lado. Isso é fato. Imagino eu, que a cada 10 pessoas, apenas 2 talvez não sejam compradas pra dizer um falso "eu te amo". 

Dinheiro, tal como o amor, junta pessoas.
Amor, tal como o dinheiro, assim que se acaba, afasta pessoas.
O dinheiro pode ser usado pra corromper, assim como o amor. 
O amor pode gerar violência. Assim, como o dinheiro.
Ao dinheiro, a ganância. Ao amor, a possessividade.
Dinheiro, posse. Amor, possessivo.

Não que o dinheiro seja ruim. Não que o amor seja ruim.
O fato é que, o amor sempre foi comercializado. Não é de hoje que existe o falso "eu te amo".

O problema não é dizer "eu te amo" mil vezes.
O problema tá em saber do que se está falando.

Afinal, vemos muitas pessoas dizendo isso, saindo alguns meses, e depois, desatando laços. Términos de contratos.
Não que eu me importe. 

Felizmente, ou infelizmente, minha veia emotiva é um pouco fraca. Mas ainda assim, eu sei o que é amar.
Amor próprio, quase natural, quase egoísta. Fruto de temporadas de misantropia e solitude; conhecimento e autoconhecimento. Zelei por minha saúde. Quase insano de um certo ostracismo.

Amei pouco, quando relacionado a amizades. Mas amei o suficiente. 
A ponto de contar fatos comprometedores sobre mim, só pra obter risadas em momentos angustiantes.
A ponto de dar a cara a tapa, tentando acalmar marés depressivas. 
A ponto de adquirir dores e um certo stress físico, amparando aos quais orgulhosamente chamei de amigos, e as quais carinhosamente chamei de amigas.
A ponto de ouvir coisas que pouco me interessavam.
A ponto de perdoar e demonstrar compaixão, ao invés de seguir e agir com indiferença.
E quem me conhece, sabe o quanto isso significa.
Sabe que foi um esforço incomensurável, pra quem nasceu fundido com o próprio orgulho.
São essas pessoas as quais eu me sinto confiante pra dizer que amo.

Eu nunca digo "eu te amo" pra pessoas as quais eu não confio.


Afinal, era como se eu estivesse distribuindo dinheiro.

Afinal; sou pobre, mas vivo de ideologia.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Não tá fluindo

Diz que, muitas coisas são feitas, muitas pessoas agindo em prol de si ou do próximo.
Muita coisa, pra muito retorno. Prefiro ficar no meu espaço.

Economiza pra comprar um walkman e ganha um rádio. O rádio dá problemas.
Troca o rádio. Rádio trocado, rádio tocando. Walkman dá problemas.
Saco cheio, quebra tudo, vai pro mato.

As vezes, irrito-me com coisas idiotas, e não me incomodo com gente morrendo do meu lado.
Nutro um certo amor pelo ódio. Não tem nada melhor do que despedaçar alguma coisa que faz muito barulho, enquanto exalo a ira por meus poros.
Só que, é que nem beber. Dá uma puta dor de cabeça depois.


Random.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Grama e vento

Arranquei cada preocupação, cada aflição, cada medo, como se fossem cascas de cortes ainda em estado de cicatrização. Do tipo em que, quando arrancada, puxa junto um pedaço de pele.
Sangra e arde por um tempo. Logo mais, outra casca se formava.

E eu arrancava de novo e de novo. Até que a casca sumisse e, em teu lugar, surgisse aquela mancha vinho, parecida com uma cicatriz hipertrófica.

Hoje, mesmo com problemas a minha volta, me sinto livre. Não me incomoda.
Dificilmente são problemas decorrentes de atos meus. 
Ando onde quero, faço o que preciso, e ainda descubro outras maneiras de me sentir bem.

Gosto de poucas pessoas. E das poucas que gosto, há poucos em quem confio. Sem desmerecer a amizade, óbvio.

Fiz alguns testes, perdi algumas pessoas, perdi coisas, perdi. Não me abate. Pra cada perda, vejo um aumento de espaço. E estendo, cada vez mais, meu caminhar pela liberdade.

No fim, coisas que construímos, podem ser destruídas.
Comecei pelas cicatrizes, e nos próximos meses, destruí algumas das coisas que faziam-me sentir forte, sentir bem, sentir seguro.

Assim, então, percebi: não podem haver abrigos na liberdade. Se houverem abrigos, há aflição. E se há aflição, não há liberdade.
E se eu posso estar seguro e ser forte apenas com o que sou, então, há liberdade.
Se eu posso caminhar por espaços fechados, ou abertos, sem me sentir ameaçado por obstáculos, então há liberdade.
Se posso tornar os obstáculos, parte de onde caminho, então há liberdade.

Talvez, nem seja esse o nome. Mas não me importo.